Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 1 de novembro de 2019 · 2 min de leitura ·

Cientistas descobrem nova categoria de buraco negro

Cientistas descobrem nova categoria de buraco negro

O que você precisa saber

Astrônomos da Universidade Estadual de Ohio, nos EUA, anunciaram a descoberta de um novo tipo de buraco negro, muito menor do que os já encontrados. Isto muda o que sabemos sobre as condições necessárias para sua formação e evolução, e pode mudar também nossa compreensão sobre nosso universo.

Buracos negros são formados quando uma estrela “implode” sob sua própria gravidade. Até agora, cientistas acreditavam que se a estrela tem uma massa entre 1,4 e 3 vezes a massa do Sol, ela se torna uma estrela de nêutrons, uma estrela super densa com toda sua massa concentrada em um objeto com diâmetro entre 10 a 25 Km.

Mas se a massa for mais de 3 vezes a do Sol, a estrela se torna um buraco negro, que concentra toda sua massa em um ponto infinitesimal. A atração gravitacional exercida é tão grande que nada escapa deste ponto, nem a luz.

Em meados de 2017 o observatório LIGO em Washington, EUA detectou a fusão de dois grandes buracos negros, um com 31 e outro com 25 vezes a massa do Sol. Isso inspirou Todd Thompson a pensar do que haveria do “outro lado” da escala. Quais seriam os menores buracos negros possíveis?

Thompson e sua equipe decidiram analisar dados do APOGEE, o Apache Point Observatory Galactic Evolution Experiment (Experimento de Evolução Galáctica do Observatório Apache Point), que analisou o espectro luminoso de 100 mil estrelas na Via Láctea. A idéia era descobrir quais delas davam sinais de estar orbitando ao redor de outros objetos, como outras estrelas, no que é conhecido como um sistema binário.

Refinando os dados, a equipe chegou a uma estrela gigante vermelha chamada 2MASS J05215658+4359220 que parecia estar orbitando “algo”, mas este “algo” não emitia luz ou raios-x e era muito menor do que os buracos negros conhecidos na Via Láctea, mas muito maior que a média das estrelas de nêutrons. Após mais análises, a equipe chegou à conclusão de que havia descoberto um buraco negro com apenas 3,3 vezes a massa do Sol, um dos menores já encontrados. Buracos negros conhecidos tem ao menos 5 vezes a massa do Sol.

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