Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 1 de abril de 2022 · 2 min de leitura ·

Cientistas descobrem um golfinho capaz de conversar com botos

Cientistas descobrem um golfinho capaz de conversar com botos

Que golfinhos são inteligentes, todos nós já sabemos, mas um time de cientistas da Universidade de Strathclyde e dos institutos Clyde Porpoise CIC e CESIMAR–CCT CENPAT-CONICET, na Escócia, conseguiram encontrar um único golfinho capaz de se comunicar com animais focenídeos – o popular “boto”. A descoberta rendeu um estudo publicado no jornal científico Bioacoustics.

Embora fisicamente parecidos, as duas espécies possuem algumas diferenças óbvias: o rosto de um golfinho é mais alongado e “bicudo” que o dos botos, que tendem a ter o rosto mais achatado e serem mais “cabeçudos”. Essas diferenças também são vistas na comunicação dos animais: os primeiros “conversam” por um assobio similar ao ar de uma bexiga passando por uma saída apertada, e botos preferem “cliques” estridentes. Os golfinhos, porém, conseguem “clicar” também – e esse é um detalhe importante.

Ao ouvirem relatos da população local do Fiorde de Clyde, uma entrada litorânea na Escócia, os cientistas decidiram investigar e descobriram “Kylie”, o golfinho solitário que, segundo os residentes, ocasionalmente é visto interagindo com os botos. Sabendo das diferenças das duas espécies, os pesquisadores conduziram um estudo para analisar mais a fundo essa relação.

O time empregou o uso de um hidrofone – um microfone para ser usado debaixo d’água – para capturar os sons feitos por Kylie. Estranhamente, eles não ouviram nenhuma “bexiga”, mas sim cliques estridentes – na mesma frequência dos botos da área.

Explicando: a “voz” dos golfinhos é proveniente do ar que eles empurram de dentro para fora por meio de uma estrutura muscular parecida com as nossas cordas vocais. Esse ar escapa de forma pressurizada, o que gera o som que conhecemos. Entretanto, essa mesma musculatura é capaz de ”clicar”. Paralelamente, botos e outros focenídeos “clicam” um som bem estridente.

O que eles perceberam com o hidrofone e algumas câmeras é que Kylie, o golfinho, se aproximava dos botos e tentava imitar a linguagem deles – e os botos paravam de nadar para ouví-lo.

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