Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 11 de abril de 2025 · 2 min de leitura ·

Cientistas do Brasil ajudam a desvendar origem de Mercúrio

Cientistas do Brasil ajudam a desvendar origem de Mercúrio

Uma equipe internacional de cientistas do Brasil, Alemanha e França propõe uma nova explicação para a origem do enigmático Mercúrio. Segundo o estudo, o planeta pode ter surgido após uma colisão violenta entre dois corpos celestes de tamanho semelhante, no início da formação do Sistema Solar.

Mercúrio é o menor mundo do Sistema Solar e também o mais próximo do Sol. Apesar do tamanho modesto, ele é surpreendentemente denso. Cerca de 60% da massa de Mercúrio está concentrada em seu núcleo, extremamente rico em ferro – algo que não se observa nos outros planetas rochosos, como Terra, Vênus ou Marte.

Essa característica sempre intrigou os cientistas, porque não se encaixa nas teorias tradicionais sobre como os planetas se formam. Além disso, a sonda MESSENGER, da NASA, que estudou Mercúrio entre 2011 e 2015, revelou outra surpresa: sua superfície é rica em elementos voláteis como potássio, enxofre e sódio.

Esses elementos são facilmente destruídos por calor extremo. Se Mercúrio tivesse sofrido um único impacto colossal, como se pensava antes, esses voláteis teriam desaparecido. Isso levou os pesquisadores a duvidar da ideia de uma colisão única e rara no passado do planeta.

Agora, novas simulações mostram que uma colisão diferente pode explicar tanto o núcleo grande quanto a presença de voláteis. Em vez de bater em um corpo muito maior, Mercúrio teria colidido de forma oblíqua com outro protoplaneta de tamanho parecido.

Esse tipo de colisão – apelidada de “atropelamento e fuga” – pode acontecer com mais frequência do que se imaginava. O impacto não teria destruído completamente os dois corpos, mas teria arrancado parte da camada externa de Mercúrio, sem vaporizar ou derreter seus elementos voláteis.

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