Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 30 de novembro de 2021 · 2 min de leitura ·

Cientistas indicam que há registros do campo magnético da Lua em suas crateras

Cientistas indicam que há registros do campo magnético da Lua em suas crateras

Ao contrário da Terra, a Lua não tem mais um campo magnético que oferece proteção contra os ventos solares. Mas nem sempre esse foi o caso: segundo novo estudo conduzido pelas universidades de Purdue e da Califórnia-Santa Cruz, o nosso satélite tem registros de seu antigo campo magnético, gravados em sua superfície por impactos com corpos celestes que vagavam pelo espaço.

O paper foi publicado no jornal científico Nature Communications e suas conclusões podem nos ajudar a entender mais um pouco sobre o processo de formação da Lua.

O estudo aposta na dispersão de materiais magnetizáveis durante os impactos que geraram as crateras da Lua: segundo o professor de Ciências Planetárias e Atmosféricas da Terra da Universidade de Purdue, Brandon Johnson, na ocorrência de impactos em direção oblíqua (ou seja, em diagonal), há uma incidência maior de ejeção de materiais que se acumulam na área antípoda.

“Antípoda” é a área diametralmente oposta à zona de impacto. Em termos práticos, imagine uma pedra atingindo a areia com força, vinda em sentido diagonal. A antípoda seria a região onde a areia dispersa cairia.

A questão é que não apenas a poeira da superfície atingida acaba dispersada. Na verdade, Johnson argumenta que a maior parte disso é material vindo do causador do impacto. E é aí que reside a chave do estudo: os materiais dos objetos que bateram na Lua podem facilmente conter ferro, que é um metal magnetizável.

Segundo o paper, esse material acaba se aquecendo muito rapidamente durante o choque, mas demora a esfriar após isso, efetivamente servindo como uma gravação das condições ambientais do momento da colisão. Considerando que a Lua vem sofrendo “pancadas espaciais” há bilhões de anos, é seguro dizer que uma boa parte das crateras do nosso satélite podem guardar traços de seu antigo campo magnético.

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