
A parte de dentro da Terra está esfriando a um ritmo mais rápido do que nós antecipamos, de acordo com estudo publicado por cientistas da Instituição de Carnegie pelas Ciências, em Washington. Os especialistas desenvolveram um novo método de análise que imita o ambiente entre a parte mais interior do manto e o exterior mais viscoso do nosso núcleo, usando diamantes para reproduzir experimentos em laboratório.
Há 4,5 bilhões de anos, a Terra era coberta por um oceano de magma, atingindo temperaturas extremas. Com o passar das eras, isso foi esfriando e dando origem à camada quebradiça que conhecemos como “manto”, bem como todos os fenômenos relacionados a ele: vulcanização, placas tectônicas e a convecção mantélica, por exemplo.
Entretanto, nós ainda não sabemos quanto tempo esse processo levou e, mais além, quanto tempo essa queda gradual de temperatura levará para levar os fenômenos acima a pararem por completo. Os cientistas de Carnegie suspeitam que isso tenha a ver com a condutividade dos minerais que formam a “divisa” entre o manto e o núcleo da Terra.
Essa camada é formada majoritariamente por um minério conhecido como “bridgmanita” (cientificamente, “perovskita de silicato de magnésio”). Mas analisar a sua condutividade térmica era difícil porque, bem, ele está quase no centro da Terra, onde nós ainda não conseguimos chegar.
A solução é tentar reproduzir esse mesmo ambiente em laboratório, dentro de condições controladas, e foi isso que o professor emérito de Carnegie, Motohiko Murakami, e sua equipe conseguiram fazer, por meio de um sistema de medição de absorção óptica em um diamante aquecido com um laser pulsante direcionado.
Segundo Murakami, isso permitiu que os cientistas descobrissem que a capacidade de condução térmica da bridgmanita é 1,5 vez maior do que eles esperavam – o que por sua vez sugere que o fluxo térmico próximo ao centro da Terra também é maior do que o antecipado.
Entre para comentar.