Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 11 de novembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Cometa interestelar 3I/ATLAS emite sinal de rádio

Cometa interestelar 3I/ATLAS emite sinal de rádio

Astrônomos registraram pela primeira vez um sinal de rádio vindo do cometa interestelar 3I/ATLAS, no momento em que ele ultrapassava a metade de sua rota pelo Sistema Solar. Embora o achado tenha despertado rumores sobre uma possível origem tecnológica alienígena, especialistas garantem que a explicação é totalmente natural.

O 3I/ATLAS é apenas o terceiro objeto interestelar já identificado. Ele foi detectado em julho, viajando em direção ao Sol a mais de 210 mil km/h. Estudos indicam que o cometa pode ter escapado de um sistema estelar desconhecido, localizado nas bordas da Via Láctea, há cerca de sete bilhões de anos – o que faz dele o mais antigo já observado.

Desde que foi descoberto, o cometa tem atraído atenção também por motivos polêmicos. O astrofísico Avi Loeb, da Universidade de Harvard, conhecido por suas teorias sobre vida extraterrestre, levantou a hipótese de que o 3I/ATLAS seria uma nave alienígena disfarçada. A ideia viralizou na internet, embora não exista qualquer evidência que a sustente.

O radiotelescópio MeerKAT, na África do Sul, registrou sinais de rádio do cometa exatamente quando ele passou mais perto do Sol, em 29 de outubro. Mas, para frustração dos seguidores de Loeb, os sinais não têm origem tecnológica. Segundo os cientistas que fizeram a análise dos dados, eles são causados por radicais hidroxila (OH) formados na nuvem de gás e poeira que envolve o cometa, chamada coma.

Esses radicais surgem quando moléculas de água se quebram devido à luz solar, num processo conhecido como desgaseificação. É um comportamento típico de cometas ativos, que liberam vapor e partículas à medida que se aproximam do Sol. Um estudo de 2016 já havia descrito esse fenômeno em detalhes.

Em outubro, observações da NASA identificaram que o 3I/ATLAS estava expelindo água em grande quantidade, “como uma mangueira de incêndio”. Agora, os sinais de rádio confirmam que parte dessa água está sendo decomposta pela radiação solar, algo esperado durante o periélio – o ponto mais próximo da órbita em relação ao Sol.

Compartilhe