
Um dos objetivos da exploração espacial sempre foi encontrar vida fora da Terra. Embora ainda não haja evidências da existência de seres extraterrestres – nem mesmo microscópicos -, essa busca possibilitou avanços científicos impressionantes.
Em artigo publicado no portal The Conversation, Gabriela Radulescu, pesquisadora do Smithsonian Institution, destaca a importância da radioastronomia neste processo. Uma tecnologia que permitiu a criação de um área de pesquisa que hoje recebe o nome de busca por inteligência extraterrestre, ou SETI.
A pesquisadora explica que, quando a ideia por trás do SETI foi proposta, na década de 1960, apenas dois países, os EUA e a URSS, tinham capacidade técnica para isso. Após a Segunda Guerra Mundial, no entanto, os cientistas descobriram que poderiam usar as antenas de radar para detectar sinais de rádio vindos de objetos no universo.
Na antiga União Soviética, o proeminente pioneiro da radioastronomia Iosif Samuilovich Shklovsky desempenhou um papel fundamental na detecção de sinais de rádio do hidrogênio. Shklovsky descobriu como detectar hidrogênio com ondas de rádio, o que ajudou os astrônomos a mapear a distribuição e o movimento do gás hidrogênio dentro e entre as galáxias.
Shklovsky mais tarde ficou fascinado com a possibilidade de usar ondas de rádio para entrar em contato com outros seres inteligentes no universo. Em 1962, a Academia de Ciências da URSS enviou sua primeira mensagem de rádio na direção de Vênus a partir de um radar na Crimeia.
Os esforços para colaborar internacionalmente em sinais artificiais culminaram em 1971 com um simpósio em Byurakan. Lá, cerca de 50 cientistas – a maioria dos EUA e da URSS, mas também alguns da Tchecoslováquia, Hungria, Reino Unido e Canadá. Depois de quase uma semana de discussão, os dois blocos geopolíticos designaram um grupo oficial do SETI. Esse grupo ainda existe hoje e ainda conecta pesquisadores de todo o mundo que conduzem pesquisas. Dado o sigilo em torno dos sinais de rádio no espaço, este grupo internacional marcou uma conquista diplomática importante no auge da Guerra Fria.
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