
Um fóssil de uma aranha com aproximadamente 23 milhões de anos, encontrado em Aix-en-Provence, na França, está tão bem conservado que foi possível que cientistas conseguissem tirar impressões de imagem até mesmo de seus tecidos mais leves – o que é algo incrivelmente raro de acontecer em qualquer outra circunstância.
Instigados pela dúvida, os especialistas da Universidade do Kansas colocaram o fóssil de aranha sob um microscópio fluorescente e descobriram uma fina camada de silicone, carbono e enxofre envolvendo o material, suspeitando que essa composição protegeu o fóssil da degradação natural proveniente da exposição de corpos ao oxigênio.
“Para a nossa surpresa, o fóssil brilhava [sob o microscópio], então ficamos interessados em que tipo de química esses materiais tivessem que os fizessem brilhar”, disse a geóloga Alison Olcott, da Universidade do Kansas e autora primária do estudo feito a partir das análises.
Outros objetos fossilizados encontrados na mesma região – como algas – também apresentaram características similares.
Ao contrário de conchas e ossos, os tecidos macios do corpo – como ligamentos e músculos – se degradam após a nossa morte, devido à exposição ao oxigênio e outros processos químicos. É por isso que temos vários ossos de tiranossauro, por exemplo, mas não “um pedaço de sua coxa”.
No passado, cientistas argumentaram que, se um corpo é enterrado próximo de algas unicelulares chamadas “diatomáceas”, elas poderiam proteger o material desses efeitos de degradação. Entretanto, a pesquisa com o fóssil de aranha em Aix-en-Provence indica que outros fatores estão em curso neste processo.
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