Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 22 de abril de 2022 · 2 min de leitura ·

Como este fóssil de aranha de 23 milhões de anos ficou tão bem conservado?

Como este fóssil de aranha de 23 milhões de anos ficou tão bem conservado?

Um fóssil de uma aranha com aproximadamente 23 milhões de anos, encontrado em Aix-en-Provence, na França, está tão bem conservado que foi possível que cientistas conseguissem tirar impressões de imagem até mesmo de seus tecidos mais leves – o que é algo incrivelmente raro de acontecer em qualquer outra circunstância.

Instigados pela dúvida, os especialistas da Universidade do Kansas colocaram o fóssil de aranha sob um microscópio fluorescente e descobriram uma fina camada de silicone, carbono e enxofre envolvendo o material, suspeitando que essa composição protegeu o fóssil da degradação natural proveniente da exposição de corpos ao oxigênio.

“Para a nossa surpresa, o fóssil brilhava [sob o microscópio], então ficamos interessados em que tipo de química esses materiais tivessem que os fizessem brilhar”, disse a geóloga Alison Olcott, da Universidade do Kansas e autora primária do estudo feito a partir das análises.

Outros objetos fossilizados encontrados na mesma região – como algas – também apresentaram características similares.

Ao contrário de conchas e ossos, os tecidos macios do corpo – como ligamentos e músculos – se degradam após a nossa morte, devido à exposição ao oxigênio e outros processos químicos. É por isso que temos vários ossos de tiranossauro, por exemplo, mas não “um pedaço de sua coxa”.

No passado, cientistas argumentaram que, se um corpo é enterrado próximo de algas unicelulares chamadas “diatomáceas”, elas poderiam proteger o material desses efeitos de degradação. Entretanto, a pesquisa com o fóssil de aranha em Aix-en-Provence indica que outros fatores estão em curso neste processo.

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