
Erupções vulcânicas maciças, ocorridas há 719 milhões de anos numa área onde hoje fica localizado o Canadá, podem ter retirado CO₂ suficiente da atmosfera para congelar a Terra mais de 2 milhões de anos depois. Pesquisadores descobriram que erupções vulcânicas devastadoras foram tão gigantescas que transformaram o planeta em uma “Terra Bola de Neve” há 717 milhões de anos.
“Nada pode ser compreendido isoladamente”, disse Galen Pippa Halverson, professora de geologia na Universidade McGill, no Canadá, e co-autora do novo estudo, à Science.
“Terra Bola de Neve” é uma teoria científica que foi proposta para explicar um evento hipotético ocorrido no passado distante da Terra, relacionado ao clima e ao efeito estufa. Essa teoria foi desenvolvida por cientistas como Joseph L. Kirschvink, Paul F. Hoffman e Daniel P. Schrag no final do século XX.
A ideia central da teoria é que em algum ponto do passado remoto, por volta de 600 a 800 milhões de anos atrás, a Terra poderia ter ficado completamente coberta por gelo, tornando-se um “mundo de neve” (Snowball Earth, em inglês). Nessa condição, a maior parte da superfície da Terra teria sido coberta por camadas de gelo contínuas, incluindo os oceanos, com exceção de áreas próximas aos polos.
Esses ciclos de “Terra Bola de Neve” podem ter ocorrido várias vezes no passado distante da Terra, afetando significativamente a evolução do planeta e a vida que nele habitava. Acredita-se que essas mudanças climáticas extremas tenham influenciado a evolução da vida e a diversificação dos organismos em diferentes momentos da história da Terra.
De acordo com o estudo publicado em 27 de junho no periódico Earth and Planetary Science Letters, existem duas maneiras principais pelas quais as erupções vulcânicas podem resfriar o planeta. As erupções liberam gases contendo partículas ricas em enxofre que ficam suspensas na atmosfera e bloqueiam a luz solar, resultando em resfriamento.
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