Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 30 de janeiro de 2025 · 2 min de leitura ·

Correntes do Atlântico estão fracas? Estudo responde, especialistas discutem

Correntes do Atlântico estão fracas? Estudo responde, especialistas discutem

Quando o assunto é correntes fundamentais do Oceano Atlântico, há consenso e debate na ciência. O consenso: elas vão enfraquecer ao longo das próximas décadas por conta das mudanças climáticas. O debate: se elas já enfraqueceram ou não ao longo dos últimos 60 anos. A discordância continua mesmo após a publicação recente de um estudo sobre a questão.

A pesquisa, publicada na revista Nature Communications em janeiro de 2025, apontou que a circulação do Atlântico está estável desde a década de 1960. Isso sugere que o sistema pode ser mais resistente ao aquecimento do que cientistas pensavam. Mas os resultados são controversos.

O estudo em questão investigou o passado da Circulação de Revolvimento Meridional do Atlântico (AMOC, na sigla em inglês). A AMOC é um sistema crucial de correntes oceânicas – entre elas, está a Corrente do Golfo, que transporta calor para o Hemisfério Norte.

Observações diretas da AMOC começaram apenas em 2004. Por isso, os cientistas dependem de “impressões digitais” climáticas, como temperatura e salinidade da superfície do mar, para inferir tendências de longo prazo.

A pesquisa em questão utilizou modelos climáticos atualizados para analisar a AMOC. Após testarem 24 modelos, os pesquisadores observaram que a temperatura da superfície do mar, um indicador comum, tem relação mais fraca com a AMOC do que se acreditava. Por isso, eles focaram no “fluxo de calor ar-mar”, que mede a troca de calor entre o oceano e a atmosfera.

O que o estudo diz: não houve declínio na transferência de calor no Atlântico Norte nos últimos 60 anos. Isso sugere que a AMOC permaneceu estável durante esse período, como mencionado no começo desta matéria.

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