Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 14 de abril de 2026 · 2 min de leitura ·

Crateras mais antigas e escuras da Lua podem esconder reservas gigantes de gelo

Crateras mais antigas e escuras da Lua podem esconder reservas gigantes de gelo

Uma nova pesquisa publicada na revista Nature Astronomy revelou que a distribuição de gelo na Lua não é uniforme e está diretamente ligada à idade das crateras no polo sul lunar. O estudo, liderado por cientistas da Universidade do Colorado Boulder, do Instituto Weizmann e do Planetary Science Institute, indica que o gelo acumulou-se de forma contínua durante os últimos 3,5 bilhões de anos, em vez de ter surgido em um único evento catastrófico.

Segundo o Space.com, essa descoberta é extremamente oportuna, considerando que a missão Artemis 2 e os planos de estabelecer uma base lunar permanente colocaram a exploração do nosso satélite natural novamente no centro das atenções da NASA e de outras agências espaciais.

Historicamente, acreditava-se que certas áreas nos polos lunares estavam em “escuridão permanente”. No entanto, o estudo original publicado na Nature Astronomy aponta que a inclinação da Lua em relação ao Sol mudou ao longo de eras. Isso significa que crateras que hoje estão nas sombras podem ter sido iluminadas há bilhões de anos, e vice-versa.

Ao analisar dados do instrumento Diviner, a bordo da sonda Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), os pesquisadores notaram que o gelo tem uma “distribuição irregular”. “O gelo não está concentrado nas mesmas quantidades em todas as crateras”, afirmou Paul Hayne, autor principal do estudo, em um comunicado.

A equipe utilizou modelos computacionais para reconstruir a evolução térmica das crateras e cruzou esses dados com as detecções de gelo feitas pelo instrumento LAMP (Lyman-Alpha Mapping Project). Os resultados foram claros:

Essa constatação descarta a teoria de que a água chegou à Lua em um único impacto de cometa gigante. Em vez disso, a fonte provável é uma combinação de pequenos impactos de asteroides, atividade vulcânica antiga que liberou vapor do interior da Lua e até mesmo a interação do vento solar com a superfície, conforme detalhado na Nature Astronomy.

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