
Richard Garwin, reconhecido como o “pai” da bomba termonuclear (também chamada de bomba de hidrogênio ou bomba H), faleceu na última semana, aos 97 anos. O que muita gente não sabe é que ele manteve em segredo, por 50 anos, um dos detalhes mais importantes sobre o desenvolvimento de uma das armas mais letais já criadas pela humanidade.
Garwin tinha apenas 23 anos quando projetou o primeiro dispositivo termonuclear funcional, baseando-se nos conceitos teóricos de Edward Teller e Stanislaw Ulam. No entanto, ninguém soube disso durante décadas.
A bomba termonuclear foi desenvolvida no famoso laboratório de Los Alamos (o mesmo onde Oppenheimer liderou a criação da primeira bomba atômica). O primeiro teste da bomba H explodiu com uma força quase mil vezes mais poderosa que a bomba atômica que destruiu Hiroshima – um poder maior do que todos os explosivos usados na Segunda Guerra Mundial, o que chocou o mundo.
Apesar de líderes americanos e outros cientistas saberem a verdade, Teller foi considerado o “pai” da bomba H até 1981, quando ele mesmo reconheceu o papel crucial de um de seus cientistas mais jovens na criação da arma. “O teste foi realizado quase exatamente de acordo com o projeto de Garwin”, admitiu Teller.
Segundo Garwin, o design inicial da bomba H, proposto por Edward Teller, não teria funcionado. Ele havia feito uma modificação crítica no esquema de ignição termonuclear, essencial para o sucesso do teste, fato revelado em detalhes apenas 50 anos depois.
Essa alteração foi tão vital que, sem ela, o teste Ivy Mike (como ficou conhecido) poderia ter falhado, atrasando a corrida armamentista durante a Guerra Fria.
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