
Um dos predadores mais assustadores do reino animal, o crocodilo é capaz de prender suas mandíbulas em torno de uma presa, arrastá-la para debaixo d’água e ainda continuar respirando confortavelmente enquanto sua vítima se afoga e é devorada por ele.
Isso é possível porque esse réptil tem estruturas especializadas que impedem a água de fluir pela boca e pelas vias respiratórias. Essa característica presente nos crocodilianos modernos – e em seus parentes próximos – foi identificada por cientistas em uma espécie de “primo” crocodilo que viveu durante o período Jurássico (entre 201,3 milhões e 145 milhões de anos atrás) e foi descrita em um artigo publicado nesta quarta-feira (8), na Royal Society Open Science.
Segundo o site Live Science, essa é a primeira evidência de adaptações crocodilianas para submergir suas cabeças (e presas) debaixo d’água enquanto ainda são capazes de respirar pelas narinas. E essa habilidade, que é uma parte importante dos hábitos mortais de alimentação do grupo hoje, pode ter ajudado os crocodilianos a sobreviver à extinção do Cretáceo que exterminou a maioria dos dinossauros.
Os cientistas chamaram a espécie recém-descoberta de Amphicotylus milesi, e afirmam que ela pertence a um grupo de parentes primitivos de crocodilos chamados goniofolidídeos, que viveram no hemisfério norte desde o Jurássico até o início do período Cretáceo (145 milhões a 66 milhões de anos atrás) e tinha um plano corporal sugestivo de um estilo de vida semi-aquático.
Em 1993, foi encontrado um esqueleto quase intacto na pedreira East Camarasaurus, no estado americano de Wyoming, que fica no oeste do país. Esse esqueleto é o fóssil de goniofolidídeo mais completo já encontrado.
De acordo com Michael J. Ryan, professor adjunto do Departamento de Ciências da Terra na Universidade Carleton, de Ontário, no Canadá, um dos coautores do estudo, o réptil media cerca de 2,3 metros de comprimento quando vivo e pesava em torno de 227 kg.
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