Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 18 de janeiro de 2024 · 2 min de leitura ·

Dente de mamute revela sua jornada há 14 mil anos

Dente de mamute revela sua jornada há 14 mil anos

Utilizando praticamente apenas um dente, cientistas conseguiram reconstruir as viagens de um único mamute peludo (ou mamute-lanoso), que perambulou pela América do Norte há mais de 14.000 anos.

Originário do oeste do território canadense Yukon, o mamute percorreu centenas de quilômetros pelo noroeste do Canadá antes de chegar ao seu local de descanso final, um assentamento humano primitivo no atual Alasca. Parece não haver dúvidas de que este mamute aventureiro foi abatido por um grupo faminto de caçadores-coletores.

A equipe internacional de pesquisadores da Universidade McMaster, da Universidade de Alaska Fairbanks e da Universidade de Ottawa reconstituiu essa jornada épica estudando um dente de mamute usando DNA antigo e análises isotópicas. O estudo foi publicado na revista Science Advances.

A análise isotópica se baseia no princípio de “você é o que você come”. A técnica é capaz de fornecer insights precisos sobre a vida de um animal — como sua dieta, origem geográfica e padrões de migração — ao analisar a concentração de certos isótopos estáveis em seus tecidos, adquiridos do ambiente ao seu redor.

O dente completo pertencia a um mamute peludo recentemente nomeado “Élmayuujey’eh”. Ele foi desenterrado ao lado de restos de um mamute juvenil e de um filhote em Swan Point, um sítio arqueológico que abriga as primeiras evidências de humanos no Alasca.

A análise do dente mostrou que o mamute era uma fêmea adulta que tinha cerca de 20 anos quando morreu há 14.000 anos. Este foi um período crítico em que os últimos mamutes peludos sobreviveram ao lado dos primeiros habitantes humanos da região por pelo menos 1.000 anos.

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