Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 1 de maio de 2026 · 2 min de leitura ·

Dentro de Chernobyl: como é o trabalho de um cientista no reator destruído

Dentro de Chernobyl: como é o trabalho de um cientista no reator destruído

40 anos após a explosão que devastou o reator 4 da usina de Chernobyl, na Ucrânia, uma complexa rede de túneis e salas subterrâneas segue ativa – e exige monitoramento constante. A cerca de 10 metros abaixo das ruínas, equipes especializadas ainda trabalham em um ambiente altamente contaminado para evitar novos riscos.

Entre esses profissionais está o pesquisador Anatolii Doroshenko, do Instituto de Problemas de Segurança das Centrais Nucleares, que falou à BBC. Ele desce regularmente ao local para inspecionar equipamentos, coletar dados e acompanhar o estado do combustível nuclear remanescente. “É como um grande labirinto embaixo do reator”, descreveu.

A rotina envolve riscos elevados. Em algumas áreas, os níveis de radiação são tão intensos que o tempo de permanência não pode ultrapassar poucos minutos. Em outros pontos, a exposição é considerada inviável, o que impede qualquer atividade humana. Ainda assim, o trabalho é essencial para manter a estabilidade da estrutura e monitorar possíveis mudanças no material radioativo.

O ambiente subterrâneo, formado pelas antigas instalações de controle da usina, é escuro e repleto de obstáculos. Corredores estreitos exigem que os pesquisadores avancem agachados, muitas vezes guiados apenas por lanternas. Mapas de contaminação ajudam a identificar zonas seguras e áreas críticas.

Entre os elementos mais perigosos está o cório, uma substância formada durante o acidente, quando o combustível nuclear se fundiu com estruturas do reator sob temperaturas extremas. Esse material se espalhou como lava pelas ruínas e deu origem a formações conhecidas, como a chamada “pata de elefante”.

Estima-se que ainda existam cerca de 200 toneladas de combustível nuclear no local, segundo a Agência Internacional de Energia Atômica. Parte significativa desse material permanece inacessível, soterrada sob concreto utilizado após o acidente para conter a radiação. A remoção total deve levar décadas.

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