
Um novo relatório internacional da ONU concluiu que os oceanos estão aquecendo e subindo mais rápido do que em qualquer outro momento da história registrada. Recifes de coral estão entrando em colapso e o gelo ártico pode desaparecer nos verões dentro de uma ou duas décadas.
O documento é a terceira edição da Avaliação Mundial dos Oceanos (World Ocean Assessment), produzida pelas Nações Unidas. Foram cinco anos de trabalho e 600 cientistas envolvidos, resultando em 1.352 páginas que cobrem principalmente o período de 2018 a 2023.
“O oceano é a base da vida na Terra. Mas sua saúde está em grave risco, à medida que os ecossistemas e habitats se aproximam ou ultrapassam pontos de inflexão críticos”, afirmou o relatório.
Desde a era industrial, os oceanos absorveram mais de 90% do calor excedente gerado pela queima de combustíveis fósseis e 30% do CO2 emitido. Apenas nos cinco anos cobertos pelo relatório, foi acumulado cerca de 16% de todo o calor oceânico registrado desde 1955.
A água quente se expande e, combinada com a água de degelo de geleiras e mantos de gelo, está elevando o nível do mar em ritmo crescente. A taxa mais que dobrou: de menos de dois milímetros (0,08 polegadas) por ano antes de 2015 para 4,3 milímetros (0,17 polegadas) em 2023. “Os milímetros se multiplicam muito rapidamente”, disse Ian Butler, ecologista marinho baseado na Austrália e coordenador conjunto do grupo de especialistas da WOA.
O relatório analisou todos os cenários de emissões – inclusive o mais otimista, em que o mundo corta drasticamente os gases de efeito estufa. A conclusão é a mesma em todos: o Oceano Ártico deve ficar sem gelo em setembro até meados deste século. Nas projeções mais pessimistas, isso pode acontecer já na década de 2030.
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