Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 30 de junho de 2026 · 2 min de leitura ·

Descoberta do fogo pelo homem pode não ser como imaginávamos, sugere estudo

Descoberta do fogo pelo homem pode não ser como imaginávamos, sugere estudo

Escavações na Caverna de Wonderwerk, na África do Sul, revelaram indícios de que ancestrais humanos podem ter utilizado fogo entre aproximadamente 1,07 e 1,79 milhão de anos atrás. A descoberta foi atribuída a uma equipe internacional formada por pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém e da Universidade de Toronto.

Os vestígios foram identificados em uma área profunda da caverna, a cerca de 30 metros da entrada, em camadas associadas a ferramentas do tipo acheulense, ligadas ao Homo erectus. Os achados sugerem que o fogo não chegou ali por ação de incêndios externos.

De acordo com os responsáveis pelo estudo, os materiais queimados indicam um comportamento intencional de manutenção de fogo, possivelmente transportado de fontes naturais como raios ou incêndios externos.

O estudo foi publicado no início de junho na revista científica PLOS One e tem como autora principal a cientista Yolanda Fernández-Jalvo.

As evidências analisadas na Caverna de Wonderwerk apontam para um cenário em que o fogo já fazia parte do cotidiano de grupos humanos muito antigos. O material encontrado não inclui estruturas típicas de fogueiras, como lareiras ou troncos carbonizados, mas sim pequenos ossos de animais.

Esses restos ósseos, oriundos de pelotas de corujas que se acumularam naturalmente no interior da caverna, apresentaram alterações compatíveis com exposição ao calor. A presença desses vestígios em um ambiente profundo e fechado reforça a hipótese de uso controlado do fogo.

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