Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 15 de junho de 2022 · 2 min de leitura ·

Descoberta genética esteriliza mosquitos e pode ser alternativa aos inseticidas comuns

Descoberta genética esteriliza mosquitos e pode ser alternativa aos inseticidas comuns

Uma descoberta genética feita por pesquisadores da Universidade da Califórnia de Riverside (UCR) pode “parar o tempo” para mosquitos transmissores de doenças, impedindo-os de amadurecer e se reproduzir.

Segundo o entomologista da UCR Naoki Yamanaka, um esteroide chamado ecdysone, classificado como “hormônio de fusão”, é fundamental para o processo de amadurecimento das moscas de frutas. 

Ele testou uma variedade de espécies de insetos e descobriu a presença de ecdysone em cada um deles. E, em quase todos, esse hormônio é transportado entre as células por um conjunto de quatro proteínas. Exceto nos mosquitos.

Yamanaka descobriu que os mosquitos têm apenas três das quatro proteínas transportadoras, e a que lhe falta é justamente a de transporte primário, o mais importante. “Este principal está de alguma forma, misteriosamente, desaparecido em mosquitos”, disse o cientista, que teve suas descobertas publicadas no Proceedings of the National Academy of Sciences.

Segundo ele, seu estudo torna possível o desenvolvimento de um inseticida específico para mosquitos que não prejudicaria insetos benéficos, como abelhas ou outros polinizadores. Por outro lado, seria uma arma eficaz contra o Aedes aegypti, causador de doenças como a zika, a dengue, a febre amarela e a chikungunya.

“Podemos desenvolver produtos químicos para bloquear as funções desses transportadores de ecdysone, mas não afetamos o transportador original que é tão importante para outros insetos”, disse Yamanaka. “As chances de efeitos fora do alvo seriam baixas”.

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