Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 20 de agosto de 2025 · 2 min de leitura ·

Descoberta muda o que sabemos sobre Neandertais e Homo sapiens

Descoberta muda o que sabemos sobre Neandertais e Homo sapiens

Um fóssil estimado em cerca de 140.000 anos é a mais nova evidência de que neandertais e o Homo sapiens mantiveram relações sociais muito antes do que os cientistas estimavam. A descoberta também indica que as duas populações cruzaram pela primeira vez em Israel.

Até então, os grupos eram considerados duas espécies distintas. Mas o esqueleto de uma criança de cinco anos revela características morfológicas de ambas as linhagens. Trata-se do fóssil humano mais antigo conhecido no mundo.

O estudo internacional foi liderado por pesquisadores da Universidade de Tel Aviv e do Centro Nacional Francês de Pesquisa Científica e publicado na revista l’Anthropologie.

Os cientistas examinaram o esqueleto descoberto há cerca de 90 anos na Caverna Skhul, no Monte Carmelo. Eles escanearam o crânio e a mandíbula usando tecnologia de microtomografia computadorizada para criar um modelo tridimensional. O interior do crânio também foi reconstruído para estudar a estrutura dos vasos sanguíneos no cérebro.

A partir daí, foi possível realizar uma análise morfológica complexa das estruturas anatômicas (incluindo estruturas não visíveis, como o ouvido interno) e compará-las com várias populações de hominídeos. 

“Em nosso estudo, mostramos que o crânio da criança, que em sua forma geral se assemelha ao do Homo sapiens — especialmente na curvatura da abóbada craniana —, possui um sistema de irrigação sanguínea intracraniana, uma mandíbula inferior e uma estrutura de ouvido interno típica dos neandertais”, explica o Prof. Israel Hershkovitz, que liderou a pesquisa.

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