Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 16 de junho de 2023 · 2 min de leitura ·

Descoberto sistema binário de buracos negros 100 vezes mais brilhante que a Via Láctea

Descoberto sistema binário de buracos negros 100 vezes mais brilhante que a Via Láctea

Um artigo publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society relata a descoberta de um buraco negro gigante no coração de uma galáxia localizada a 5 bilhões de anos-luz da Terra. Segundo o estudo, trata-se, na verdade, não de um, mas de dois monstros cósmicos orbitando um ao outro, em um sistema binário 100 vezes mais brilhante que toda a Via Láctea.

Os titãs cósmicos estão no centro da galáxia OJ 287, onde se alimentam de gás e poeira. De acordo com a nova pesquisa, a órbita oblonga peculiar de um deles, que é 150 milhões de vezes mais massivo que o Sol, o faz mergulhar no disco de acreção vermelho-quente do companheiro. Este, por sua vez, é ainda mais robusto, contendo 18 bilhões de massas solares.

A matéria desse feroz redemoinho cósmico que não é absorvida pelo buraco negro supermassivo é canalizada para os polos e lançada como jatos poderosos, em um processo que faz o núcleo galáctico ativo (AGN) brilhar de forma tão intensa que o classifica como um quasar.

Foi observando o disco de poeira e gás do objeto maior que os pesquisadores detectaram o outro, causando uma série de explosões enquanto interage com o disco circundante do primeiro ao longo de sua órbita.

Isso acontece porque à medida que o segundo buraco negro adentra o disco de acreção, ele aquece o gás e a poeira do disco, fazendo com que ele “arrote” gás quente como bolhas em expansão. Esse material esfria por alguns meses, irradiando luz e emitindo flashes mais brilhantes do que um trilhão de estrelas combinadas.

Embora a galáxia OJ 287 tenha sido descoberta há cerca de 120 anos na constelação de Câncer, não se sabia que se tratava de um sistema binário. Isso porque nas observações, os dois buracos negros se mesclavam como se fosse um só.

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