Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 6 de junho de 2022 · 2 min de leitura ·

Desequilíbrios de calor causam tempestades massivas em Marte, segundo estudo

Desequilíbrios de calor causam tempestades massivas em Marte, segundo estudo

Marte é conhecido por suas intensas tempestades de areia em seus períodos de verão e, de acordo com cientistas da Universidade de Houston, no Texas, a causa disso pode ser um “desequilíbrio de calor” causado pelo acúmulo de energia – ou seja, mais concentração e menos gasto -, por parte do planeta vermelho. A premissa rendeu um estudo revisado e publicado no jornal Proceedings of the National Academy of Sciences.

As tempestades de poeira em Marte são bastante citadas pelas agências espaciais do mundo, além de responsáveis por grandes perdas em nossas capacidades de exploração fora da Terra: o rover Opportunity, da NASA, “morreu” em 2018 após uma tempestade de classe planetária impedir o aparelho e continuar coletando energia do Sol, sujando-o tanto que ele entrou em modo de hibernação em julho daquele ano (e o atual módulo InSIGHT pode estar no mesmo caminho).

“O planeta Marte não tem qualquer tipo de mecanismo de armazenamento energético eficiente como os que temos aqui na Terra”, disse Ellen Creecy, pesquisadora e pós-doutoranda da Universidade de Houston. “Aqui, os nossos grandes oceanos, por exemplo, têm o papel de ajudar a equilibrar o sistema climático”.

Marte, no entanto, já foi a casa de imensos corpos d’água – a Cratera Jezero, onde o rover Perseverance se encontra hoje, por exemplo, já foi um grandioso lago e um enorme delta de rio -, então essa situação nem sempre foi assim.

A pesquisa se baseou em dados coletados pela finada sonda Mars Global Surveyor (MGO), que foram comparados a informações mais recentes coletadas pelos rovers Curiosity e os já citados Perseverance e o módulo InSIGHT. A conclusão foi a mesma pelos três vetores de consulta: a energia solar absorvida por Marte é bem maior do que a energia que o planeta irradia de volta ao espaço na forma de calor.

O termo prático dessa relação é um bem específico, mas bem fácil de entender: “orçamento energético”. Esse orçamento é diferente para cada planeta: Júpiter, por exemplo, tem um desequilíbrio imenso porque 1) por ser um gigante gasoso, ele não tem uma superfície própria e 2) ele está bem distante do Sol, o que faz com que ele receba pouca energia, mas ainda irradie muito calor devido a estoques que ele mantém desde a época de sua formação.

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