
Quando se fala em desertificação, a imagem que vem à cabeça costuma ser a de grandes dunas sem vida, como o deserto do Saara. O conceito técnico, no entanto, é outro: trata-se do processo de degradação ambiental em que uma terra antes produtiva perde gradativamente a capacidade de reter água e sustentar a vida vegetal e animal.
Esse desgaste do solo é provocado por uma combinação de fatores humanos, como o desmatamento e a agricultura inadequada, com as variações do clima. No Brasil, o problema afeta diretamente cerca de 39 milhões de pessoas — incluindo agricultores familiares, povos indígenas, quilombolas e diversas comunidades tradicionais.
Atualmente, cerca de 18% do território nacional é composto por Áreas Suscetíveis à Desertificação, segundo a Agência Brasil. O fenômeno se concentra principalmente nos nove estados do Nordeste, mas também se estende por trechos do norte de Minas Gerais e do Espírito Santo, nordeste do Rio de Janeiro e noroeste do Mato Grosso do Sul.
Apesar do nível de degradação, pesquisas mostram que a Caatinga desempenha um papel central na regulação climática. Um levantamento do Instituto Nacional do Semiárido (Insa) com universidades parceiras apontou que o bioma tem uma eficiência de 58% no aproveitamento de carbono.
Além disso, 72% desse carbono fica retido diretamente no solo, totalizando cerca de 125 toneladas por hectare. Em 2022, a Caatinga respondeu por cerca de 50% de todo o sequestro líquido de carbono do país. Por conta disso, especialistas defendem a inclusão explícita do bioma nos documentos científicos da 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), na Mongólia.
Para tentar conter o problema, o governo brasileiro lançou em março de 2026 o Plano de Ação Brasileiro de Combate à Desertificação (PAB-Brasil 2025–2043), integrando ações de meio ambiente, infraestrutura e inclusão produtiva.
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