Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 28 de maio de 2024 · 2 min de leitura ·

Desmatamento deixou RS mais vulnerável às enchentes, diz professor

Desmatamento deixou RS mais vulnerável às enchentes, diz professor

Não só as mudanças climáticas agravaram as chuvas e as enchentes no Rio Grande do Sul (RS), mas o desmatamento também. A retirada da vegetação nativa, consequência da agropecuária local e das leis que flexibilizam a proteção ambiental, tornou a região mais vulnerável e agravou os efeitos das tempestades.

Dados da ONG MapBiomas mostraram que, entre 1985 e 2022, o RS perdeu cerca de 3,5 milhões de hectares de vegetação nativa.

Para o professor Edson Vidal, do curso de Engenharia Florestal da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP), e coordenador do projeto Corredor Caipira de Reflorestamento e Preservação na região de Piracicaba, o que agravou as enchentes na região foi a falta da proteção concedida pela vegetação.

Ele lembrou que desastres deste tipo não são novidades e que as mudanças climáticas já vêm afetando o mundo inteiro. No entanto, no caso do RS, a destruição da mata nativa piorou a situação.

Vidal explicou ao Jornal da USP que a vegetação intermedia a água e o solo, ajudando a reduzir a velocidade das enchentes, permitindo que a água infiltre no solo e evitando a erosão. Se a vegetação estivesse presente como proteção no RS, as enchentes seriam “menos catastróficas”.

Ainda, ele lembra que, quando pensamos em vegetação, logo imaginamos grandes florestas. Esse não é necessariamente o caso e, nos estados do Sul, o bioma mais presente são os pampas, caracterizados por uma mata rasteira.

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