Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 5 de agosto de 2021 · 2 min de leitura ·

Desmatamentos levarão Amazônia a “transformação ecológica em larga escala”

Desmatamentos levarão Amazônia a "transformação ecológica em larga escala"

Um painel internacional formado por cientistas ambientais afirmou que a Amazônia caminha em direção à “transformação ecológica em larga escala”, segundo documentos obtidos pela coluna de Jamil Chade, do UOL. Segundo as informações, a situação é grave e, se continuada, os experts dizem que a região ficará parecida com uma savana ou zona de pastagem.

A conclusão vem do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), que aponta como causas da situação o aquecimento global, as práticas de desmatamento sem restrição e eventos naturais como incêndios florestais. Os documentos serão divulgados na próxima semana como base para estudos que comprovem a gravidade do caso.

“A floresta amazônica como um repositório de biodiversidade, está ameaçada pela relação entre as mudanças no uso da terra e as mudanças climáticas, que poderia levar a uma transformação ecológica em larga escala e a mudanças biológicas a partir de um floresta úmida em floresta seca e pastagens, reduzindo a produtividade e o armazenamento de carbono”, dizem os documentos.

O IPCC é uma das autoridades mais respeitadas dos assuntos ambientais, tendo assumido essa posição após levar o Prêmio Nobel da Paz de 2007, “pelos seus esforços na construção e disseminação de amplo conhecimento sobre a mudança climática causada pelo homem, bem como criar a fundação para as medidas necessárias para contra-atacar tal mudança”, de acordo com o resumo da página oficial do prêmio.

Os cientistas que atuaram na criação dos documentos e suas conclusões referem-se à Amazônia como “um caso de ponto de ruptura”: “Eventos extremos mais frequentes e intensos, adicionais às tendências climáticas progressivas, estão empurrando mais ecossistemas para pontos de ruptura além dos quais mudanças abruptas ou transições para um estado degradado ou totalmente diferente podem ocorrer”, diz um trecho. “Os efeitos combinados e interativos entre mudança climática, desmatamento e incêndios florestais são projetados para levar a mais de 60% de redução de área coberta até 2050”.

Nos mesmos documentos obtidos pelo UOL, o IPCC aponta recomendações justamente para evitar que a situação já crítica se torne ainda pior. O principal caminho, segundo o painel, é a preservação de sistemas naturais ainda intocados e a restauração de ambientes afetados:

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