
Pesquisadores sequenciaram o DNA de uma comunidade cristã que vivia em cavernas na região da atual Espanha durante a Idade Média. O objetivo do estudo era tentar entender porque estas pessoas preferiam estes locais e não as habitações convencionais existentes na época, e acabou trazendo descobertas surpreendentes.
Os pesquisadores descobriram que os habitantes eram predominantemente de ascendência ibérica local, com contribuição mínima dos norte-africanos. A conclusão se alinha com os registros históricos que indicam influência genética limitada das populações do norte da África no norte da Península Ibérica durante a Idade Média.
Dois dos esqueletos que datam da fase inicial do assentamento exibiam sinais de violência, que provavelmente resultaram de golpes de espada na cabeça. Os dois eram geneticamente intimamente relacionados. Surpreendentemente, um deles sobreviveu a uma lesão que cortou o crânio.
As análises ainda apontaram para graus elevados de endogamia, ou seja, de relações sexuais apenas dentro da própria comunidade. Os dados coletados também mostram que vários dos primeiros machos são parentes próximos porque existem apenas variações relativamente pequenas observadas em seu cromossomo Y.
A fase inicial do assentamento de Las Gobas também revelou vários casos da bactéria Erysipelothrix rhusiopathiae, que causa uma doença de pele em humanos. A presença dessa bactéria, comumente encontrada em porcos, sugere que a criação desses animais era uma parte essencial do estilo de vida da comunidade. Além disso, uma das pessoas infectadas com E rhusiopathiae também carregava Yersinia enterocolitica, uma bactéria conhecida por infectar humanos por meio de carne ou água estragadas.
A endogamia permaneceu uma característica forte ao longo da história da população, mesmo quando a comunidade fez a transição de habitações em cavernas para um assentamento rural mais típico no século X. Nessa fase posterior, foram detectados sinais do vírus da varíola.
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