
O mau cheiro pode ser um grande aliado da Ciência na busca por formas de vida alienígena, apontam pesquisadores. De acordo com um artigo publicado no arXiv, os níveis de enxofre – marcado pelo odor de ovo podre – presentes na atmosfera de um planeta podem ajudar a determinar se aquele local é ou não propício à vida extraterrestre.
Como explicam os autores no estudo, altas concentrações de dióxido de enxofre na atmosfera podem indicar que um planeta é inabitável. A própria Terra, por exemplo, por ser quente e úmida, consegue limpar o enxofre da atmosfera e despejá-lo pela chuva no solo ou nos oceanos.
Há o caso de planetas como Vênus, que recebe muita radiação solar e, por isso, seus altos níveis de enxofre viajam para a atmosfera inferior e se tornam indetectáveis, mascarando sua inabitabilidade apesar das condições altamente adversas para a vida. De acordo com a equipe, porém, há um elemento-chave para contornar essa situação: as estrelas anãs vermelhas.
Esses astros – que são o tipo de estrela mais comum da nossa galáxia – emitem pouquíssima radiação ultravioleta e, com isso, planetas com concentrações elevadas de dióxido de enxofre ainda seriam detectáveis pela atmosfera superior e facilmente identificados pelos astrônomos como inabitáveis.
Em outras palavras, apesar de não provar a existência de vida alienígena, a técnica do enxofre indica justamente quais planetas devem ser descartados dessa lista e quais devem ser observados e acompanhados de perto.
Ana Julia Pilato é formada em Jornalismo pela Universidade São Judas (USJT). Já trabalhou como copywriter e social media. Tem dois gatos e adora filmes, séries, ciência e crochê.
Entre para comentar.