Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 28 de abril de 2025 · 2 min de leitura ·

“Eclipse” permite estudo detalhado da atmosfera de Urano pela NASA

"Eclipse" permite estudo detalhado da atmosfera de Urano pela NASA

No último dia 7, ao longo de cerca de uma hora, Urano bloqueou a luz de uma estrela distante (como a Lua faz com o Sol durante um eclipse), fornecendo uma oportunidade rara de pesquisa para os astrônomos. Cientistas da NASA aproveitaram a chamada “ocultação estelar” para analisar a atmosfera e os anéis do planeta. O evento foi visível apenas no oeste da América do Norte.

De acordo com um comunicado, esse tipo de ocultação é incomum para Urano. A última vez que uma estrela brilhante foi ocultada por ele foi em 1996. Por isso, a NASA se preparou com uma megaoperação. Uma equipe internacional de mais de 30 astrônomos, liderada pelo Centro de Pesquisa Langley, na Virgínia, usou 18 observatórios para acompanhar o fenômeno.

“Foi a primeira vez que colaboramos em uma escala tão grande para uma ocultação”, explicou o cientista planetário William Saunders. Segundo ele, a participação de tantos telescópios permitiu obter dados mais detalhados sobre as várias camadas da atmosfera de Urano. A análise da curva de luz revelou informações inéditas.

Os cientistas conseguiram medir temperaturas e composições químicas na estratosfera do planeta, que é a camada intermediária de sua atmosfera. Além disso, compararam os dados atuais com os que foram obtidos em 1996. Essa comparação ajudou a identificar as mudanças ocorridas ao longo desses quase 30 anos.

Urano está a cerca de 3,2 bilhões de quilômetros da Terra e não tem uma superfície sólida como a dos planetas rochosos. Em vez disso, a superfície é formada por uma mistura espessa de água, amônia e metano congelados. O interior do planeta também é composto principalmente por esses materiais gelados.

A atmosfera de Urano é dominada por hidrogênio e hélio, gases leves que também compõem a maior parte do Sol. Isso torna o planeta um “gigante de gelo”, como Netuno, diferente dos “gigantes gasosos” Júpiter e Saturno. A estrutura sem superfície sólida facilita o estudo de fenômenos atmosféricos, como ventos, tempestades e formação de nuvens.

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