
Quando a Lua bloqueia a luz do Sol, a escuridão rápida e passageira afeta desde o comportamento animal até as ondas na ionosfera da Terra. Agora, pesquisadores de uma universidade holandesa descobriram que eclipses também afetam a cobertura de nuvens.
O estudo apontou que a cobertura de nuvens cúmulos (o tipo mais, digamos, tradicional de nuvem) diminuiu mais de quatro vezes, em média, à medida que a sombra da Lua passava sobre a Terra durante um eclipse anular (aquele no qual a luz solar forma um “anel” em volta da Lua) em 2005.
Esse aspecto pouco estudado dos eclipses solares tem lições importantes para esforços de geoengenharia voltados para o bloqueio da luz solar, propôs a equipe. A pesquisa foi repercutida pela revista Eos.
Eclipses oferecem ótimas oportunidades para investigações científicas, disse Victor J. H. Trees, geocientista na Universidade de Tecnologia de Delft, na Holanda. Segundo o cientista, eclipses solares são “experimentos únicos” nos quais pesquisadores estudam o que acontece quando a luz solar é rapidamente obscurecida – eventos “muito diferentes do ciclo normal de dia e noite”, acrescentou o pesquisador.
Trees e seus colegas analisaram recentemente dados de cobertura de nuvens obtidos durante um eclipse anular em 2005, visível em partes da Europa e da África. Eles extraíram imagens visíveis e infravermelhas coletadas por dois satélites geoestacionários operados pela Organização Europeia para a Exploração de Satélites Meteorológicos (EUMETSAT, na sigla em inglês).
Ir (de certa forma) para o espaço foi crucial, disse Trees. “Se você realmente quer quantificar como as nuvens se comportam e como reagem a um eclipse solar, ajuda estudar uma grande área. É por isso que quisemos olhar do espaço.”
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