
Simulações de galáxias feitas em computadores têm revelado algo curioso: mesmo quando os cientistas partem dos mesmos dados, os resultados finais podem ser diferentes. Um novo estudo da Universidade de Leiden, na Holanda, sugere que isso não é falha técnica, mas uma característica natural dos sistemas galácticos e da forma como eles são modelados.
Conduzida por Tetsuro Asano e Simon Portegies Zwart, do Observatório de Leiden, a pesquisa, que será publicada na revista Astronomy & Astrophysics, está disponível no repositório online de pré-impressão arXiv. O trabalho busca responder a uma antiga questão da astrofísica sobre o grau de previsibilidade de uma galáxia como a Via Láctea.
Para investigar, os pesquisadores construíram centenas de versões digitais de galáxias parecidas com a Via Láctea. Esses modelos incluem um disco de bilhões de estrelas e uma vasta região de matéria escura, que funciona como uma espécie de “andaime invisível” responsável pela gravidade do sistema.
Em cada conjunto de testes, foram rodadas duas simulações quase idênticas. A única diferença era extremamente pequena, como o deslocamento de uma única estrela em uma fração mínima. Ainda assim, ao longo do tempo, essa diferença inicial cresceu de forma inesperada.
Com o avanço da simulação, as galáxias começaram a se transformar de maneiras distintas. Os braços espirais assumiam formas diferentes e até a estrutura central, conhecida como barra galáctica, podia girar de maneira desigual em cada modelo.
Esse comportamento lembra o chamado “Efeito Borboleta”, em que pequenas mudanças iniciais podem gerar consequências muito grandes. O estudo mostra que, ao contrário do que se imaginava, uma galáxia com bilhões de estrelas não é automaticamente estável ou “suave” em seu comportamento.
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