Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 14 de maio de 2025 · 2 min de leitura ·

Einstein estava certo: viajar à velocidade da luz “torce” objetos

Einstein estava certo: viajar à velocidade da luz “torce” objetos

Um artigo publicado este mês na revista Communications Physics evidencia um fenômeno curioso previsto por Albert Einstein há mais de um século. Pela primeira vez, cientistas conseguiram simular e registrar visualmente como um objeto pareceria se estivesse viajando quase na velocidade da luz. O experimento foi feito por pesquisadores da Universidade de Tecnologia de Viena (TU Wien) e da Universidade de Viena, na Áustria.

A Teoria da Relatividade Especial, proposta por Einstein em 1905, descreve como tempo e espaço se comportam quando um objeto se move muito rápido. Um dos efeitos mais conhecidos é a dilatação do tempo: para quem está dentro de um foguete quase na velocidade da luz, o tempo passa mais devagar do que para quem está parado. Isso já foi comprovado e até influencia o funcionamento dos satélites de GPS.

Outro efeito previsto por essa teoria é a contração do comprimento. Para um observador externo, um objeto em alta velocidade parece encolher na direção em que se move. Isso não significa que ele de fato diminui de tamanho, mas que o espaço e o tempo são percebidos de forma diferente por quem está em movimento e por quem está parado. 

Em 1959, os físicos James Terrell e Roger Penrose mostraram que essa contração do comprimento também causaria um efeito visual estranho. Um objeto muito rápido pareceria estar torcido, como se tivesse sido girado no espaço. Esse fenômeno, que ficou conhecido como efeito Terrell-Penrose, nunca tinha sido observado diretamente, apenas simulado em gráficos ou animações.

A dificuldade é que seria necessário acelerar um objeto como um cubo ou uma esfera a velocidades quase impossíveis, próximas à da luz, que é de 300 mil km por segundo. Como isso está além da nossa tecnologia atual, os cientistas austríacos usaram um truque para “enganar” as leis da física dentro do laboratório.

Os estudantes de física Dominik Hornoff e Victoria Helm, da TU Wien, desenvolveram um experimento no qual a velocidade da luz foi simulada como sendo de apenas dois metros por segundo. Isso foi feito para que os efeitos da relatividade, que só aparecem em velocidades altíssimas, pudessem ser observados em câmera lenta. Assim, o comportamento da luz poderia ser registrado com precisão.

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