Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 13 de maio de 2026 · 2 min de leitura ·

El Niño iminente pode tornar 2026 o ano mais extremo para incêndios e calor

El Niño iminente pode tornar 2026 o ano mais extremo para incêndios e calor

O retorno do El Niño nos próximos meses deve intensificar os extremos climáticos de 2026, com ondas de calor, temperaturas recordes, secas e incêndios florestais em escala global. O alerta é da World Weather Attribution (WWA), organização que analisa a relação entre eventos extremos e mudanças climáticas.

Apenas cinco meses após o início do ano, 2026 já acumula números extraordinários. As temperaturas da superfície do mar em todo o mundo se aproximam de máximas históricas – em alguns dias, superam os recordes de 2024. O gelo marinho do Hemisfério Norte encolheu para sua menor extensão já registrada para o período, com o Ártico atingindo mínima histórica pelo segundo ano consecutivo.

Diversos estados americanos tiveram os invernos mais quentes da história, e a Groenlândia registrou seu janeiro mais quente já medido. A Espanha viveu o início de ano mais chuvoso em quase cinco décadas, apenas alguns anos após as condições mais secas em 1.200 anos. Temperaturas acima de 40°C atingiram a Austrália, provocando risco catastrófico de incêndio, comparável aos incêndios do Verão Negro de 2019-2020.

A Índia alcançou 46°C. A França quebrou recordes mensais de temperatura em fevereiro. Estados brasileiros enfrentaram o mês mais chuvoso já registrado, com enchentes mortais e deslizamentos. Incêndios florestais extensos varreram partes da Ásia, África e América do Sul.

O El Niño é definido pelo aumento das temperaturas oceânicas e da pressão atmosférica no Pacífico tropical oriental, com efeitos em cascata sobre chuvas, secas, ciclones e ondas de calor em todo o globo. O fenômeno empurra as temperaturas médias globais para cima, aumentando as chances de um ano recorde. Alguns cientistas já apontam 2026 como candidato a mais quente da história.

O cenário mais preocupante, segundo a WWA, é o de incêndios florestais. “Enquanto em muitas partes do mundo a temporada global de incêndios ainda não esquentou, esse início rápido, em combinação com a previsão do El Niño, significa que estamos vendo um ano particularmente severo se materializando”, disse Theodore Keeping, especialista em incêndios do Imperial College London e integrante do grupo.

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