Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 1 de março de 2024 · 2 min de leitura ·

El Niño (muito) provavelmente quebrará recordes de calor em 2024

El Niño (muito) provavelmente quebrará recordes de calor em 2024

Existe uma chance bem grande (de 90%) das médias das temperaturas quebrarem recordes de alta ao redor do mundo até junho de 2024. O culpado? El Niño (com ajuda das mudanças climáticas, claro). É o que aponta uma pesquisa publicada na revista Scientific Reports na quinta-feira (29).

Alguns lugares vão esquentar mais que outros. É o caso de partes da Ásia, por exemplo. A preocupação não se limita apenas ao calorão em si, mas ao seu efeito cascata. É que a alta das médias das temperaturas globais também puxa para cima os riscos de seca e incêndios florestais.

O fenômeno climático El Niño, exacerbado pelas mudanças climáticas, é um padrão climático natural que, em sua fase quente, enfraquece os ventos alísios – ventos constantes, causados pela rotação da Terra, que sopram de leste para oeste nas regiões tropicais e subtropicais. Resultado: aquecimento significativo de grandes áreas do Oceano Pacífico, o que influencia o clima global.

Deliang Chen, um dos autores do estudo e professor na Universidade de Gotemburgo, na Suécia, expressou preocupação com os possíveis impactos desse aquecimento, enfatizando a importância de alertar a população sobre os riscos associados. O estudo revela como o El Niño pode levar a variações climáticas extremas, dependendo da região.

Em 2023, o desenvolvimento de um El Niño em junho já havia sido previsto para causar desordem climática. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertou que, combinado com as mudanças climáticas, isso poderia elevar as temperaturas globais a níveis sem precedentes. De fato, 2023 foi o ano mais quente registrado desde 1850, possivelmente sendo o mais quente em pelo menos 100 mil anos.

Para 2024, os pesquisadores modelaram dois cenários possíveis: um El Niño moderado e um El Niño forte (como demonstrado na imagem acima). Sob um El Niño moderado, regiões como a Baía de Bengala e as Filipinas seriam as mais afetadas. Essas regiões enfrentariam seca contínua e ondas de calor marinhas que podem danificar recifes de coral vitais para as comunidades locais.

Compartilhe