Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 10 de julho de 2026 · 2 min de leitura ·

El Niño pode transformar a Amazônia de aliada em inimiga do clima, aponta pesquisa

El Niño pode transformar a Amazônia de aliada em inimiga do clima, aponta pesquisa

A Amazônia armazena cerca de 123 bilhões de toneladas de carbono – mais do que qualquer outro ecossistema terrestre do planeta. Mas essa reserva natural pode se tornar uma ameaça ao clima em vez de uma proteção contra ele.

Durante eventos de El Niño intensos, florestas tropicais da América do Sul podem parar de absorver CO₂ e começar a liberar carbono na atmosfera, segundo pesquisa publicada em 2023 na revista Nature Climate Change.

O estudo foi conduzido pelo cientista Tom Pugh, da Universidade de Birmingham, com mais de 100 colaboradores. O alerta ganha urgência agora: a NOAA, agência meteorológica americana, confirmou recentemente que um novo El Niño está em curso – e cientistas advertem que 2026 pode ser o ano mais quente já registrado.

Florestas tropicais absorvem CO₂ pelo processo de fotossíntese e convertem esse carbono em biomassa. Mas esse equilíbrio é delicado e depende de dois fatores: temperatura e disponibilidade de água.

Em condições mais quentes e secas, as plantas fecham os poros das folhas para evitar a perda de água. O problema é que é por esses mesmos poros que elas absorvem o CO₂ necessário para crescer. Sem CO₂, a fotossíntese para. E, quando as árvores morrem por causa do estresse climático, o carbono acumulado em seu tronco é liberado de volta para a atmosfera durante a decomposição – um efeito que se prolonga por décadas.

Durante o El Niño de 2015-2016, quando as temperaturas em terra firme estavam pelo menos 1°C acima da média, parte das florestas tropicais da América do Sul efetivamente parou de absorver carbono, segundo o estudo.

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