Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 31 de dezembro de 2021 · 2 min de leitura ·

Elon Musk nega que seus satélites estejam “ocupando muito espaço” no espaço

Elon Musk nega que seus satélites estejam “ocupando muito espaço” no espaço

Elon Musk não é muito fã de críticas: depois de ouvir representantes da agência espacial europeia (ESA) alegarem que os satélites da sua constelação Starlink estariam deixando o espaço “congestionado”, o CEO da SpaceX refutou a ideia, dizendo que , com o perdão da brincadeira, “há espaço no espaço para dezenas de bilhões de satélites”.

A Starlink é a plataforma de internet via satélite da SpaceX, desenhada especificamente para atender pessoas que vivem em regiões rurais ou mais isoladas, onde o acesso via cabo, DSL, rádio ou fibra óptica tem dificuldades de chegar. Mas para se ter uma internet via satélite, você precisa de, bem, satélites – e a empresa de Elon Musk já lançou mais de 1,8 mil deles.

Segundo Musk, cada camada orbital é maior do que a superfície da Terra, e com uma separação entre camadas de cerca de 10 metros (m), mais ou menos, haveria espaço para “dezenas de bilhões” de satélites ao redor do planeta. “Alguns milhares de satélites não é nada. É como alguns milhares de carros na superfície da Terra – É nada”, disse.

Entender esse pensamento não é difícil quando se tem um pouquinho de conhecimento sobre distribuição de satélites: agências espaciais e empresas têm um consenso que indica o posicionamento desses objetos, a fim de que um volume muito grande deles não ocupe a mesma região (ou “camada”). É algo parecido com a divisão do espaço aéreo para determinar as faixas de trânsito de aeronaves no céu.

Dessa forma, um satélite X ficará posicionado em uma camada 1, a cerca de 300 km da superfície da Terra. O satélite Y vai para a camada 2, a 350 km e assim por diante. Os números são apenas um exemplo, mas ajudam a entender como isso funciona.

O problema: especialistas ouvidos pelo Financial Times discordam da analogia de Musk. Segundo Jonathan McDowell, astrofísico do Harvard-Smithsonian, Musk não leva em consideração a necessidade de medidas de segurança – como manobras evasivas -, que precisam de tempo para serem planejadas e executadas. De acordo com os cálculos apresentados pelo especialista, ao invés de “dezenas de milhões”, há espaço somente para cerca de mil satélites por camada.

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