Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 18 de abril de 2024 · 2 min de leitura ·

Em evento evolutivo raro, alga engloba bactéria e cria novo organismo

Em evento evolutivo raro, alga engloba bactéria e cria novo organismo

Um evento evolutivo raro, que ocorre uma vez a cada bilhão de anos, está em andamento diante dos olhos atentos dos pesquisadores. Duas formas de vida estão se fundindo para criar um organismo único, dotado de novas habilidades.

O fenômeno, conhecido como endossimbiose primária, é um processo intrigante no qual um organismo microbiano engloba outro e começa a utilizá-lo como parte de si mesmo. Em troca, o hospedeiro fornece nutrientes, energia e proteção ao simbionte, criando uma relação simbiótica que pode evoluir para um estágio onde o simbionte se torna essencialmente um órgão do hospedeiro.

Comparado a uma espécie de ‘internalização biológica’, esse fenômeno oferece uma visão fascinante sobre a dinâmica da vida na Terra. O último registro desse evento crucial na história da evolução resultou na emergência das plantas, um marco que moldou o curso da vida no nosso planeta.

A descoberta foi publicada em duas das revistas científicas mais renomadas, a Cell e a Science, solidificando sua importância e impacto na comunidade científica global.

Os pesquisadores, liderados por Jonathan Zehr, desvendaram detalhes fascinantes desse processo por meio de técnicas avançadas de imagem e análise genética. A análise das proteínas revelou que a cianobactéria, agora denominada nitroplasto, depende quase inteiramente da alga para sua sobrevivência, sugerindo uma transição para o status de organela.

Essa é uma das características distintivas de algo que está transitando de um endossimbionte para uma organela. Eles começam a descartar pedaços de DNA, e seus genomas ficam cada vez menores, passando a depender da célula mãe para esses produtos gênicos — ou a própria proteína — serem transportados para dentro da célula.

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