Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 29 de outubro de 2021 · 2 min de leitura ·

Emissões de gases poluentes no Brasil aumentaram em quase 10%, mesmo com reduções globais vindas da pandemia

Emissões de gases poluentes no Brasil aumentaram em quase 10%, mesmo com reduções globais vindas da pandemia

Mesmo com as restrições e quarentenas estipuladas em resposta à Covid-19, as emissões de gases poluentes como o dióxido de carbono (CO2) aumentaram em 9,5% no Brasil em 2020, de acordo com um novo relatório ambiental divulgado pelo Observatório do Clima, uma coalizão de organizações de preservação do meio ambiente.

Segundo o relatório, apesar da média global de emissões ter sido reduzida – um benefício atribuído às práticas de restrições em resposta à Covid-19 -, o Brasil vem seguindo o caminho oposto do resto do mundo, promovendo desmatamentos em maior grau – o país liberou cerca de 2,16 bilhões de toneladas de CO2, seu volume mais alto desde 2006. Mais além, o relatório cita uma queda de 4,6% no Produto Interno Bruto (PIB): “ou seja, o Brasil ficou mais pobre e mais poluído”, diz o relatório.

“O aumento dos desmatamentos, no Brasil – em particular, a floresta tropical amazônica, colocaram o país em choque com a tendência do resto do mundo”, diz enunciado do relatório, que também ressalta que, por outro lado, a poluição atribuída ao setor de energia reduziu 4,6%, voltando a níveis de 2011.

A divulgação do relatório à imprensa global encontrou comparativos que colocam o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no centro das responsabilidades por mais esse recorde negativo.

“Os desmatamentos no Brasil aumentaram desde que o presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro assumiu o cargo em janeiro de 2019, com uma política voltada à proteção do agronegócio e mineração”, disse o Phys.org, um portal especializado na cobertura científica.

“O Brasil atingiu o ‘mérito’ de ser, talvez, o único grande emissor que poluiu mais durante o primeiro ano da pandemia”, disse a Reuters, que citou o chefe de pesquisa do Observatório do Clima, Marcio Astrini.

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