Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 3 de agosto de 2021 · 2 min de leitura ·

Empresa cria peixes em laboratório como alternativa ao consumo de animais marinhos

Empresa cria peixes em laboratório como alternativa ao consumo de animais marinhos

Cientistas a serviço da empresa Bluu GmbH desenvolveram uma nova linha de produtos de carne animal, intitulada “peixes celulares” — a grosso modo, “peixes” criados em laboratório, mas feitos a partir de uma célula do animal de verdade — no intuito de frear o consumo predatório de proteínas de animais marinhos, impulsionado pela pesca predatória.

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (ONUAA), cerca de 90% das espécies de peixe do mundo estão em déficit, ou seja, o consumo de sua carne por nós humanos é maior e mais rápido do que a velocidade com que eles se reproduzem. Por isso, a empresa europeia — uma divisão corporativa do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento para a Biotecnologia Marinha e Celular — desenvolveu o novo método de criação, efetivamente eliminando o custo desse consumo à vida animal.

A Bluu nasceu em maio de 2020, liderada pelos doutores Sebastian Rakers e Simon Fabich. A ideia dos dois é oferecer os peixes criados em laboratório para restaurantes, como uma forma de apresentar o produto à população, mas eventualmente passar a disponibilizá-los em supermercados para aquisição direta pelo consumidor.

“Nós enxergamos um mercado de rápido crescimento. O futuro pertence a produtos manufaturados dentro de uma economia circular”, disse Rakers, que afirmou que, inicialmente, a empresa vai oferecer itens mais simples, como espetinhos e bolinhas de peixe, enquanto opções mais complexas — como filés — seguirão em pesquisa para melhor desenvolvimento. “Isso é essencial para garantir que as células cresçam dentro de nossa estrutura prevista e se formem da mesma maneira que aconteceria em tecidos naturais de peixes”.

O processo de desenvolvimento é relativamente simples de se entender: basicamente, a Bluu faz a biópsia de um tecido de um peixe adulto de verdade — dessa biópsia, recolhem-se células chamadas de “progenitoras”. Elas são derivadas das células-tronco e, como nunca envelhecem, podem ser reproduzidas indefinidamente.

A partir daí, o time posiciona o material genético dentro de um reator de aproximadamente cinco litros de capacidade, onde um nutriente intermediário promove o crescimento das células até formar um tecido muscular, carne, completo.

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