
Em janeiro de 2020, enchentes avassaladoras devastaram várias cidades de Minas Gerais, causando danos massivos e até mortes. Um estudo publicado nesta semana na revista Climate Resilience and Sustainability indica que as fortes chuvas que provocaram os alagamentos têm mais de 40% de relação com as mudanças climáticas no planeta.
Fazendo uso de modelagem climática, a pesquisa mostra que os efeitos da industrialização e do aquecimento global aumentaram em 70% a probabilidade de volumes de chuva muito maiores do que o esperado na região, em comparação com cenários com temperaturas médias de 1 °C a 1,1 °C menores.
De acordo com o site Phys, os autores do estudo também quantificaram os danos causados pelo evento extremo, estimando que mais de 90 mil pessoas ficaram temporariamente desabrigadas e mais de R$1 bilhão foi perdido nos setores público e privado.
A maior parte dos danos materiais foi à infraestrutura pública (R$484 milhões), habitação (R$352 milhões) e lojas de varejo e outros serviços (R$290 milhões). A mudança climática induzida pelo homem é responsabilizada por 41% do total.
Uma semana antes da publicação do estudo, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) enfatizou em seu sexto relatório de avaliação que “é inequívoco que a influência humana aqueceu a atmosfera, o oceano e a Terra, contribuindo para alterações rápidas e intensas em todas as regiões do planeta”.
O evento de precipitação extrema que ocorreu em Minas Gerais nos dias 23 a 25 de janeiro do ano passado, que levou a inundações e deslizamentos de terra, resultou de uma intensificação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (SACZ) combinada com a emergência do ciclone subtropical de Kurumí (KSC) sobre o Atlântico Sul. Ambos os fenômenos aumentaram o teor de umidade em toda a região.
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