
Cientistas da agência espacial europeia (ESA) descobriram os restos de uma galáxia devorada pela Via Láctea há algo entre 8 bilhões e 10 bilhões de anos, segundo paper produzido a partir do achado.
A galáxia em questão – convenientemente apelidada “Pontus” – era relativamente menor do que o que era a Via Láctea muito antes de ela assumir o formato que tem hoje. E assim como qualquer um de nós passando perto demais de uma loja de periféricos de informática em dia de liquidação, ela passou em proximidade à nossa casa no espaço, sendo inevitavelmente tragada pelo nosso poder gravitacional.
A descoberta veio por meio de dados coletados pela Missão Espacial Gaia, operada pela ESA. Basicamente, a observação astronômica foi feita em um dos anéis da Via Láctea, composto por grupos de estrelas bastante antigas, com baixo teor metálico. Galáxias externas à nossa podem chegar nesta área em velocidades diferentes, o que faz com que elas sejam exibidas de forma diferente para nós.
“Quando uma galáxia externa ‘cai’ dentro da nossa, forças gravitacionais grandiosas começam a despedaçá-la”, disse a agência em um comunicado. “Se esse processo for mais lento, as estrelas dessa galáxia formarão uma corrente cósmica que é facilmente visível no anel da nossa. Se ele for mais acelerado, as estrelas da galáxia invasora ficarão mais espalhadas e nenhuma assinatura própria será visível”.
Entretanto, o estudo se concentrou em outros fatores que puderam denunciar a presença de restos da Pontius, a galáxia devorada pela Via Láctea. Basicamente, galáxias satélite menores ou estrelas globulares, que também podem ingressar à corrente exibida em nosso anel.
Trocando em miúdos: Pontus chegou perto demais de nós – ainda que bem devagar – e passou a ser incorporada pela Via Láctea. Devido ao tempo e velocidade que esse processo levou, partes do que a galáxia-que-virou-lanche tinha acabou evidente em nosso “corpo”. Pense em como você derruba farelos de bolacha na sua camiseta e fica mais fácil de entender.
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