
Um dos lugares mais promissores para existência de vida alienígena é Titã, uma das luas de Saturno. Com lagos, rios e até mares de metano e etano líquidos na superfície, além de um oceano aquático subterrâneo, esse mundo gelado tem intrigado cientistas há décadas como um ambiente propício para a vida fora da Terra.
Um estudo publicado este mês no periódico científico The Planetary Science Journal reforça essa possibilidade – com uma ressalva. A vida pode sim existir em Titã, segundo os autores, mas em quantidades muito menores do que se imaginava. Isso mudaria as expectativas para futuras buscas por sinais biológicos nessa lua.
O destaque de Titã em relação a outras luas geladas está em sua riqueza de compostos orgânicos. Em um comunicado, o coautor do estudo Antonin Affholder, pesquisador da Universidade do Arizona, nos EUA, disse que essa abundância sempre sugeriu que não faltariam fontes de alimento para sustentar a vida. Mas a realidade, segundo ele, pode ser mais limitada.
A sonda Huygens, da Agência Espacial Europeia (ESA), pousou em Titã em 2005 como parte da missão Cassini, da NASA. Ela atravessou a espessa atmosfera da lua e identificou reações químicas causadas pela luz solar, capazes de formar moléculas complexas – algumas com potencial para originar a vida.
Essas moléculas orgânicas, em teoria, cairiam na superfície e, com o tempo, penetrariam no subsolo até o oceano escondido. Lá, poderiam criar condições habitáveis. Mas esse “potencial” depende de vários fatores, como a quantidade real de compostos que conseguem atravessar a crosta gelada.
O estudo mostra que nem todas as moléculas presentes na superfície serviriam como alimento. E o intercâmbio entre o oceano e a superfície é limitado. Isso reduz drasticamente a possibilidade de uma biosfera ativa e abundante. A equipe sugere uma abordagem mais cautelosa para avaliar a habitabilidade de Titã.
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