Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 13 de junho de 2022 · 2 min de leitura ·

Entenda o que pode ter causado tsunami sem precedentes após erupção vulcânica em Tonga

Entenda o que pode ter causado tsunami sem precedentes após erupção vulcânica em Tonga

Uma equipe internacional de cientistas diz ter identificado o mecanismo exato responsável pelo tsunami sem precedentes que se espalhou rapidamente pelo mundo após a excepcional erupção vulcânica ocorrida em janeiro na nação insular de Tonga, localizada no Pacífico Sul.

Descrita como a maior explosão já registrada na atmosfera, a erupção de Tonga foi centenas de vezes mais poderosa que a bomba atômica de Hiroshima, além de ser considerada a maior erupção vulcânica dos últimos 140 anos, superando a de Krakatoa, ocorrida em 1883.

Em um estudo publicado nesta segunda-feira (13) na revista Nature, os autores, liderados por pesquisadores do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), em Lisboa, Portugal, em colaboração com a Universidade de Cardiff, no Reino Unido, dizem que o colossal tsunami foi causado por ondas de gravidade acústica (AGWs) geradas pela poderosa explosão, que viajaram para a atmosfera e através do oceano depois que o vulcão Hunga Tonga-Hunga Ha’apai entrou em erupção.

À medida que essas ondas convergiam entre si, a energia era continuamente bombeada para o tsunami, o que a fez crescer e viajar muito mais, de forma mais rápida e por muito mais tempo.

“A ideia de que os tsunamis poderiam ser gerados por ondas atmosféricas desencadeadas por erupções vulcânicas não é nova, mas este evento foi o primeiro registrado pela instrumentação moderna e mundialmente densa, permitindo finalmente desvendar o mecanismo exato por trás desses fenômenos incomuns”, disse o geólogo Ricardo Ramalho, da Escola de Ciências da Terra e Meio Ambiente da Universidade de Cardiff, participante do estudo.

Segundo a pesquisa, as AGWs são ondas sonoras muito longas que viajam sob os efeitos da gravidade. Elas podem trafegar pelo oceano profundo ou pela atmosfera à velocidade do som e podem ser produzidas não apenas por erupções vulcânicas, mas também por terremotos, entre outras fontes violentas. Uma única AGW pode se esticar por até centenas de quilômetros e viajar a profundidades de milhares de metros abaixo do nível do mar, transferindo energia da superfície superior para o fundo dos oceanos.

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