Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 31 de janeiro de 2022 · 2 min de leitura ·

Entenda por que as chuvas devastadoras em São Paulo vêm de “rio no céu”

Entenda por que as chuvas devastadoras em São Paulo vêm de “rio no céu”

Entre os fatores responsáveis pela ocorrência do evento extremo de chuva que deixou mortos e destruição em São Paulo no fim de semana, está um sistema de mesoescala — no caso, uma frente fria — que desencadeou um canal de umidade com valores de água precipitável muito altos sobre o território paulista. Esse fluxo recebe o nome meteorológico de rio atmosférico. 

Conforme destaca o site de serviços meteorológicos MetSul, a cadeia de eventos que levou ao desastre no estado de São Paulo começou durante a semana passada, quando uma frente fria avançou pelo sul do país, deslocando-se para o sudeste.

O sistema encontrou ar mais quente sobre a região centro-oeste, levando chuvas e temporais a São Paulo, e não conseguiu progredir mais para o norte. “Com isso, a frente se tornou semi-estacionária na região sudeste”, diz o MetSul.

De acordo com os meteorologistas, isso levou à organização de um robusto canal de umidade conhecido como Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), uma faixa de nebulosidade que atravessa o Brasil e costuma trazer chuva com altos volumes em diversos estados nesta época do ano.

Esse corredor de umidade, um verdadeiro “rio no céu”, tem uma orientação climatológica típica de noroeste para sudeste, estendendo-se da região da Amazônica até o litoral da região sudeste. 

No caso dos temporais registrados no fim de semana, o rio atmosférico que se origina na Amazônia e passa por São Paulo, onde despejou muita água, se estende por milhares de quilômetros e avança pelo Atlântico até áreas ao sul da África no limite do extremo oeste do Oceano Índico, de acordo com o MetSul.

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