Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 18 de janeiro de 2022 · 2 min de leitura ·

Erupção em Tonga jogou cinzas a altura recorde, mas não deve impactar o clima

Erupção em Tonga jogou cinzas a altura recorde, mas não deve impactar o clima

A erupção do vulcão Hunga Tonga-Hunga-Ha’apai, em Tonga, na Polinésia, ocorrida no último sábado (15) expeliu cinzas à altura recorde de 39 quilômetros (km) – a primeira vez que tal marco foi atingido por um evento do tipo. Entretanto, isso não deve trazer impactos ao clima da Terra, segundo especialistas.

Apesar da altura recorde, o volume de cinzas expelidas pela erupção em Tonga não foi dos mais densos. Pesquisadores traçaram comparações com a explosão do Monte Pinatubo, nas Filipinas – a segunda maior erupção do século XX. Segundo eles, o Hunga Tonga-Hunga-Ha’apai, apesar de ser um “supervulcão”, expeliu “apenas” 400 mil toneladas cúbicas de cinzas, cerca de 2% do volume visto na explosão de 1991.

Erupções de supervulcões trazem preocupações variadas na comunidade especializada em geologia e clima. Isso porque, dependendo do volume de cinzas expelido e a altura a que ele chega, um efeito de redução de temperatura pode vir em seguida, graças às partículas vulcânicas que se acumulam na atmosfera, impedindo a entrada da luz e calor do Sol.

Efeitos do tipo na pré-história deram início a algumas das muitas “eras do gelo” que a Terra já viveu.

Felizmente, não será o caso aqui: “neste momento, as estimativas do dióxido de enxofre cuspido pela erupção do Hunga Tonga-Hunga-Ha’apai corresponde a uma pequena fração do que foi visto na erupção do Monte Pinatubo”, disse Karen Rosenlof, expert em química atmosférica na Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) dos EUA. “Por causa disso, eu não esperaria ver uma resposta muito grande da superfície global”.

A especialista ainda disse que o Monte Pinatubo expeliu material que durou cerca de dois anos na atmosfera antes de se dissipar por completo, e que a redução de temperaturas do tipo não seria uma solução viável para contra-atacar o aquecimento global.

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