Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 10 de agosto de 2026 · 2 min de leitura ·

Espelhos no espaço podem iluminar a Terra e afetar a vida noturna

Espelhos no espaço podem iluminar a Terra e afetar a vida noturna

Uma tecnologia criada para levar luz solar a diferentes pontos da Terra pode gerar um efeito colateral preocupante. A Reflect Orbital recebeu aprovação da FCC para lançar um satélite com espelho capaz de refletir a luz do Sol para o planeta, mas astrônomos alertam para riscos à ciência e à segurança.

Chamado Eärendil-1, o satélite faz parte de um projeto que prevê até 50 mil espelhos em órbita. A proposta é oferecer iluminação e energia solar sob demanda, inclusive à noite. O receio é que o brilho desses objetos altere o céu noturno e provoque danos à visão.

Usar espelhos em órbita para refletir a luz solar para a Terra não é novidade. O conceito é discutido há mais de um século e foi testado pela Rússia nos anos 1990, com o projeto Znamya.

Agora, a Reflect Orbital pretende retomar a ideia. O Eärendil-1 terá um espelho de 18 metros quadrados e, segundo a empresa, poderá produzir um feixe de luz de cerca de 5 quilômetros de largura.

O satélite poderá ter brilho semelhante ao de Vênus fora do feixe e ser quatro vezes mais brilhante que a Lua dentro da área iluminada. A preocupação aumenta com a possibilidade de dispersão da luz pela atmosfera.

De acordo com a Royal Astronomical Society, o céu noturno poderia ficar de três a quatro vezes mais brilhante nas regiões afetadas caso dezenas de milhares de objetos refletissem a luz solar.

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