
Quem vê um canivete suíço hoje provavelmente imagina como o homem mais antigo fazia para conduzir certas tarefas tornadas tão mais simples graças a essa comodidade contemporânea. E a resposta é simples: eles…também tinham sua própria versão de uma ferramenta multiuso.
Segundo um novo estudo, publicado no Scientific Reports, o período conhecido como “Howiesons Poort” foi, possivelmente, a primeira revolução tecnológica e cultural da qual se tem notícia: ocorrida entre os anos 65.800 e 59.500 antes do período presente (também referido como “antes de Cristo” ou “a.C”), essa época marcou a troca de presentes em caráter cultural (ou seja, não era apenas a troca de um bem por outro) e pela adoção de ferramentas com design comum e de uso a longo prazo.
Tais ferramentas são conhecidas como “artefatos de apoio”, e uma delas, feita em pedra e portando não mais que cinco centímetros (cm) de tamanho, possivelmente era uma das mais úteis da época, devido à sua capacidade de cortar, rasgar e perfurar, sendo aplicada nos trabalhos com couro de caça, ornamentos de ossos e até afiar objetos maiores feitos em madeira.
Segundo o estudo, não é a existência do artefato em si que empolgou os cientistas, mas a sua aparição em várias regiões aparentemente desconectadas. Da China antiga à Europa pré-histórica, versões similares desse objeto foram escavadas em vários sítios arqueológicos.
Isso é relevante pois mostra que, em algum momento da história, nós conseguimos criar um design perene, que atendeu a todo tipo de necessidade, independente de região: “a nossa análise morfométrica demonstra que os artefatos de apoio de Howiesons Poort foram feitos em um template similar através de longas distâncias e múltiplos biomas”, diz trecho do estudo.
Ou seja: a única forma de essas ferramentas serem tão similares é se humanos da época, em várias regiões, estivessem convivendo entre si.
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