Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 19 de maio de 2025 · 2 min de leitura ·

Estatuetas africanas em cemitério cristão de 1.500 anos revelam diversidade em Israel

Estatuetas africanas em cemitério cristão de 1.500 anos revelam diversidade em Israel

Uma das descobertas mais intrigantes da história da arqueologia israelense acaba de ser publicada no periódico científico Israel Antiquities Publications Portal. Estatuetas com traços africanos esculpidas em madeira asiática foram encontradas em um cemitério cristão de 1.500 anos no deserto de Negev. 

Os objetos estavam em sepulturas próximas à antiga cidade de Tel Malhata, uma importante localidade do período bizantino. Esse achado chama atenção pela mistura de influências culturais e materiais vindos de regiões muito distantes entre si.

Segundo a pesquisa, as esculturas foram feitas com Diospyros ebenum, uma madeira preta e densa nativa da Índia e do Sri Lanka. Esse tipo de material nunca havia sido encontrado antes em escavações arqueológicas em Israel. Além da origem asiática da madeira, o estilo das esculturas lembra a arte tradicional africana. As peças retratam um homem e uma mulher, ambos com feições africanas bem definidas, e possuem pequenos orifícios, indicando que eram usadas como pingentes.

Outros itens foram descobertos nas mesmas sepulturas, incluindo três pequenas estatuetas feitas de osso. Elas têm formas humanas simples e teriam servido como amuletos. Os túmulos pertenciam a duas mulheres e uma criança, todos enterrados de costas e voltados para o leste – um costume cristão comum na época. Esses sinais indicam que os mortos faziam parte de uma comunidade cristã estabelecida, ativa na região no século VI.

A cidade de Tel Malhata ficava em um ponto estratégico entre o Mar Vermelho, Jerusalém, o Egito e a Arábia. Na Antiguidade, essa posição favorecia o comércio entre o Império Bizantino e regiões distantes como a África e o sudeste asiático. Caminhos por terra e rotas marítimas cruzavam o Oriente Médio, transportando madeira rara, especiarias, seda e artefatos exóticos. As estatuetas podem ter feito parte dessas trocas.

Os pesquisadores acreditam que os objetos não foram esculpidos em Israel, mas importados já prontos de outro lugar. O estilo sugere influência africana, talvez etíope, enquanto o material é tipicamente asiático. Essa combinação pode indicar que os artefatos passaram por várias mãos e culturas antes de chegar ao deserto israelense. Também é possível que os mortos enterrados ali fossem imigrantes cristãos vindos da África.

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