Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 18 de maio de 2023 · 2 min de leitura ·

Estrela vampira se alimentou de vizinha até explodir

Estrela vampira se alimentou de vizinha até explodir

Astrônomos observaram pela primeira vez uma supernova em ondas de rádio, o que permitiu que fosse descoberta uma anã branca que estava sugando toda matéria de sua companheira cósmica antes de explodir. Essa vampira estelar estava se alimentando de material rico em hélio, o que a levou a sua própria morte.

A supernova do tipo Ia recebe o nome de SN 2020eyjsu tendo sido descoberta pelas lentes do Zwicky Transient Facility, um observatório localizado na montanha Palomar, nos Estados Unidos. Em seguida os telescópios Nordic Optical, nas Ilhas Canarias, e o Keck, no Havaí, também registraram o evento. As observações mostraram que o material circundante da supernova era majoritariamente hélio, tornando-a diferente de outras supernovas Iá.

Assim que vimos as assinaturas de forte interação com o material do companheiro, tentamos detectá-lo também na emissão de rádio. A detecção em [ondas] de rádio é a primeira de uma supernova Tipo Ia — algo que os astrônomos tentam fazer há décadas.

As fortes assinaturas de hélio nas observações indicaram a hipótese que a estrela companheira da anã branca era rica nesse elemento e que ela havia sido quase que totalmente engolida.

Além disso, a presença desse elemento também permitiu que a supernova fosse detectada por ondas de rádio. Quando existe material circundante a uma supernova, o material ejetado pela explosão ao colidir com outra matéria acaba por acelerar partículas como os elétrons, em velocidades próximas a da luz, resultando em emissões síncrotron, que podem incluir ondas de rádio.

Quando o ambiente ao redor de uma supernova é “limpo” não é possível detectar emissões de rádio, e até então isso não tinha sido feito em nenhuma supernova do tipo Ia.

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