Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 5 de maio de 2020 · 2 min de leitura ·

Estudo aponta nova teoria sobre maior impacto de meteoro já registrado

Estudo aponta nova teoria sobre maior impacto de meteoro já registrado

O que você precisa saber

Em junho de 1908, uma grande explosão na Sibéria, região russa localizada na Ásia Setentrional, provocou um impacto tão poderoso ao ponto de devastar uma área florestal de 2.150 quilômetros quadrados. Na época, testemunhas oculares disseram ter visto uma bola brilhante percorrendo o céu e relataram ter presenciado um ruído ensurdecedor.

Conhecido como “Evento de Tunguska“, o episódio foi associado à atividade de um bólido, isto é, um meteorito brilhante na forma de bola de fogo que atravessa a atmosfera terrestre e pode provocar ruídos e rastros luminosos. Embora não tenha resultado em crateras no solo, o fenômeno é reconhecido popularmente como o “maior impacto de meteoro já registrado”. 

No entanto, mais de 100 anos depois, o evento ainda intriga cientistas. De acordo com o Science Alert, um novo trabalho de pesquisadores da Universidade da Sibéria afirma que o episódio misterioso pode ter sido provocado por um grande asteroide de ferro, que entrou na atmosfera terrestre e percorreu o planeta a uma altitude relativamente baixa, de forma que ele teria produzido uma onda de choque, responsável por devastar a superfície.

Imagem de um bolide captada na Austrália em 24 de abril de 2011 (Foto: Wikicommons)

De acordo com os pesquisadores o fenômeno de Tunguska não “recebeu interpretações razoáveis e abrangentes até o momento” e os resultados obtidos pelo estudo ajudam a discutir este mistério de longa data na astronomia. “Argumentamos que o evento de Tunguska foi causado por um corpo de asteroide de ferro, que passou pela atmosfera da Terra e continuou até a órbita quase solar”, escreveu o grupo de cientistas liderados pelo astrônomo Daniil Khrennikov, da Universidade Federal da Sibéria, no artigo.

Para chegar a esta conclusão, o grupo usou modelos matemáticos para estudar as condições de asteroides de diferentes características no contexto do evento de Tunguska. “Nós estudamos as condições da passagem de asteroides na atmosfera terrestre com diâmetros de 200, 100 e 50 metros, compostos por três tipos de materiais – ferro, rocha e gelo -, considerando uma altitude de trajetória mínima na faixa de 10 a 15 quilômetros”, dizem os pesquisadores.

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