Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 2 de dezembro de 2021 · 2 min de leitura ·

Estudo comprova: frequência de furacões vem aumentando há 150 anos

Estudo comprova: frequência de furacões vem aumentando há 150 anos

Um estudo conduzido pelo MIT criou modelos climáticos simulados para comprovar o que já se esperava: houve um aumento na frequência de furacões nos últimos 150 anos. O estudo ainda mostra que, não só temos mais furacões acontecendo em menos tempo, mas as tempestades parecem mais perigosas quanto mais recente é o episódio analisado.

O paper, contudo, reconhece que o aumento parece ser uma tendência mais restrita à região norte do oceano atlântico, uma vez que não foi identificada em outras partes do mundo. Em outras palavras, o estudo diz que os furacões não aumentaram globalmente.

A ideia do estudo era a de analisar se os registros históricos mais antigos são ou não confiáveis. A afirmação do aumento de frequência e poder das tempestades vem sendo feita há mais de um século. Entretanto, a tecnologia e o acesso à informação mudaram consideravelmente em décadas mais recentes, o que pode colocar em dúvida métodos mais antigos de medição climática.

Felizmente, não foi o caso: o novo método não usou registros históricos, a fim de manter o estudo sobre furacões livre de qualquer viés. Ao invés disso, o MIT preferiu construir modelos baseados em dados brutos antigos, a fim de ver – com a tecnologia do século XXI – se esses modelos poderiam reproduzir tempestades passadas como elas aconteceram de fato, o que se confirmou.

“A evidência do nosso estudo aponta que, assim como diz o registro histórico, houve um aumento de longo prazo nas atividades de furacões no Atlântico Norte, mas nenhuma mudança significativa na escala global”, disse Kerry Emanuel, professor de Ciências Climáticas do MIT, que assina a autoria do paper. “Isso certamente vai mudar a interpretação dos efeitos do clima nos furacões — que na verdade vêm mais pela regionalização do clima, que algo vem acontecendo no Atlântico Norte que é diferente do resto do planeta. [Esse aumento] pode ter sido causado pelo aquecimento global, que não é necessariamente um efeito globalmente uniforme”.

Trocando em miúdos: o aquecimento global, embora seja um problema que afete o mundo inteiro, causa diferentes reações em diferentes partes do planeta. Os cientistas do estudo concedem que esse aumento nos furacões pode ser uma consequência desse aquecimento, mas como a tendência não foi reproduzida em outros oceanos, é difícil afirmar isso com certeza.

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