Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 7 de julho de 2022 · 2 min de leitura ·

Estudo japonês diz que partículas radioativas no oceano marcam início de uma nova era geológica

Estudo japonês diz que partículas radioativas no oceano marcam início de uma nova era geológica

Cientistas da Universidade de Tóquio, no Japão, coletaram partículas de decaimento radioativo nos oceanos ao norte do Pacífico e, após análise, indicam que tal material pode ser considerado o ponto de entrada de uma nova era geológica.

Oficialmente, nós vivemos dentro do “Período Holoceno”, que teoricamente começou há 11,7 mil anos. Entretanto, a comunidade científica não consegue mais entrar em um consenso quanto à permanência deste período, ou se as ações humanas dos últimos séculos já trouxeram um novo período – classificado por alguns como “Antropoceno”.

De acordo com o estudo, esses biomarcadores radioativos vêm de testes nucleares executados no litoral japonês durante a década de 1950, com amostras retiradas de um terreno que contempla a Baía de Tóquio até Ishigaki, a sudoeste de Okinawa. A conclusão é a de que o Antropoceno, em teoria, começou em 1954.

“Nossa missão era encontrar indicações claras de um decaimento entre o início dos anos 1950 até 1963, quando os testes radioativos majoritariamente pararam. Extraímos núcleos essenciais de amostras da área da baía e vimos claros sinais de plutônio desse decaimento”, disse Yusuke Yokoyama, geocientista da universidade. 

“Entretanto” – ele continuou – “nós também coletamos esqueletos de corais da ilha de Ishigaki, que continham o mesmo decaimento. Comparar os sedimentos de corais nos permite ter uma data mais precisa das assinaturas de onde capturamos esses sedimentos”.

Assim como as árvores em terra, corais também contam com anéis que não dizem muito sobre a qualidade da água, mas que são grandes instrumentos para o estabelecimento preciso de datas. Por isso, os cientistas realizaram diversas análises – incluindo Espectrometria de Aceleração de Massa, ou “AMS” – para identificar isótopos radioativos específicos dentro das amostras.

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